As Mandalas e Os Yantras

Foto/Imagem: Andréa Godart @agodart_fotografia (Mandala Flor&Ser)

 

 

No Oriente as mandalas e yantras são elementos poderosíssimos para a disciplina da meditação. Eles vêm sendo usados há milênios. Não existe um autor específico destes símbolos. Qualquer pessoa, ao penetrar no mundo da unicidade, poderá, através de revelação inspiradora, conceber figuras geométricas ressonantes com o Universo. Desta forma, surgem os mandalas e yantras. Há grande quantidade destes elementos simbólicos espalhados pelo Oriente e Ocidente.

 

Algumas de suas características e finalidades.


Mandala é uma palavra sânscrita que significa CÍRCULO. Podemos encontrá-la em diversas partes do planeta representada em pinturas, esculturas e danças. Encontramo-la também nas paredes dos templos, pintadas em cores contrastantes, no chão, na entrada de casas humildes, esboçadas toscamente numa rocha ou desenhada na poeira, no chão de terra batida. Por vezes, a Mandala aparece nas danças em grupos realizadas no interior dos templos ou em espetáculos públicos.

 

A dança estruturada em círculos concêntricos, com um centro atraindo o conjunto, é típico do Budismo Tibetano e também dos DERVICHES dançarinos que atingem o êxtase num rodopio incessante, ao som de tambores e flautas primitivas. Podemos encontrar as mandalas no Oriente.


Pode acontecer das mandalas apresentarem-se sob a forma de Yantras ou desenhos geométricos entrelaçados, em que sua simetria parece brotar de um ponto central. A finalidade destes desenhos é acalmar a agitada mente, produzir tranquilidade interior e meditação.


Sem a menor dúvida, a força integradora das Mandalas é perfeitamente perceptível por qualquer pessoa. Tal fato levou C.G. Jung a estudá-las meticulosamente. Ela aparece no momento em que o ser humano é submetido a uma tensão desagregadora. Surge nas crianças que vêem os pais se separarem, nos adultos quando a neurose se estabelece, ou sempre que ocorre uma invasão do subconsciente na alma humana. É uma tentativa de autocura que a natureza espontaneamente adota. Uma barreira à desintegração, um elemento unificador das estruturas físicas ou psíquicas abaladas por uma causa de circunstâncias diversas.


A religião hindu, ou qualquer sistema por ela influenciado é, inegavelmente, um sistema para atingir a autoconsciência. Para romper o conformismo, a mecanização, a ilusão criada pelo hábito e atingir uma consciência insuspeitada, mas sempre presente em todos os instantes diante do homem. Para isto, devemos lançar mão à prática. Sem ela nada é possível. A delicada cisão estabelecida entre o intelecto e a psique terá que ser restabelecida.


Analisando a história dos povos ocidentais é possível verificar que a dicotomia intelecto-psique sempre produz sofrimento. O orgulho do culto ao intelecto, da razão, da lógica, o endeusamento da Ciência, tem levado a humanidade ao abismo da desesperação, em sua corrida alucinante para chegar a lugar nenhum.


É necessário, pois, neste lado do mundo ocidental angustiado, confuso, restabelecer essa autoconsciência do indivíduo com a grande fonte universal de consciência cósmica. 

 

Foto/Imagem: Andréa Godart @agodart_fotografia (Mandala Flor&Ser)

 

 

Mandala é um recurso gráfico, externo, para conduzir a reintegração. É uma espécie de mapa do universo, mostrando sua geografia externa e interna. É claro que quando examinamos as estruturas universais como o sol, os planetas, as galáxias, a Terra, o homem, etc., encontramos grande semelhança. Existe sempre uma superfície externa, um limite, um centro de atração que congrega, em verdadeiras camadas, as partes integrativas. A forma é a marca externa de uma Mandala. Faça o download de uma mandala para colorir.

 

Yantras são formas geométricas usadas para alcançar a integração da pessoa com seu SER. A palavra Yantra é composta, tendo o sufixo TRA, que significa "ferramenta". Encontramos este mesmo sufixo em MANTRA. O mantra também é um instrumento para prospectar o nosso interior e produzir diferentes manifestações. Logo, o Yantra é uma ferramenta, instrumento, mecanismo, meio, suporte, para provocar uma profunda atividade interna em diferentes níveis psíquicos, mentais, evolutivos, conscientivos e espirituais.


Yantra, em linguagem simples, refere-se a imagens, diagramas, gráficos, quase sempre em forma geométrica, predominando ponto, círculo, triângulo e quadrado.


 

O Yantra pode ser utilizado para:


a) representar algum aspecto divino;

b) manifestar arquétipos geométricos de leis cósmicas imutáveis;

c) disciplinar a mente para a evolução gradual da compreensão do SER.


O Yantra trabalha com duas direções: a YIN e a YANG, de dentro para fora e de fora para dentro, centrífuga e centrípeta, expansão e contração, diástole e sístole, etc. Faça o download de um yantra para colorir.


Mostra os estágios de manifestação do Absoluto, partindo do ponto de origem e, por fim, retornando ao ponto original. É um processo cósmico de geração e dissolução buscando a unicidade. Pode ser tempo e espaço, ou melhor, espaço-tempo. Cristaliza-se na eternidade, que transcende ao tempo e ao espaço. A simultaneidade dos aspectos cósmicos opostos, aparentemente irreconciliáveis, ocorrendo no mais profundo de nossa consciência.

 

As quatro direções mostradas no Yantra revelam a lei quadrática ou as manifestações quaternárias do Cosmos, como por exemplo: as quatro fases da Lua (minguante, cheia, crescente e nova), os quatro pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste), os quatro deuses cosmogônicos da antiga Grécia (Eros, Erebo, Caos e Noite), as quatro substâncias da química (ácidos, óxidos, bases e sais), as quatro estações (primavera, verão, outono e inverno), os quatro temperamentos (linfático, sanguíneo, bilioso e melancólico), os quatro princípios da Filosofia Iniciática (saber, ousar, fazer e calar), as quatro etapas da vida do homem (infância, juventude, maturidade e velhice), os quatro elementos da natureza (fogo, água, terra e ar), as quatro grandes raças (branca, negra, amarela e vermelha), os quatro reinos (mineral, vegetal, animal e humano), etc...

 

(texto com base no curso Saber e Poder da Voppus Stella Maris).

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Lane Lucena é Psicanalista Clínica - com especializações em psicologia e saúde mental e psicopedagogia clínica. Facilitadora de Práticas de Atenção Plena.

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