Imprevisível - conte se puder por Thalles Kroth

August 27, 2018

 

 

Imprevisível as batidas que nosso coração dá. Às vezes a gente se preocupa a toa e não entende as mensagens que nosso corpo tem a nos mostrar. Mensagens de aviso, perigo ou cuidado. Uma gripe passageira, um chá que se toma. Parece que a solução é tão fácil de encontrar. Muitos ignoram a procura da ajuda médica que pode ser mais útil e recomendado. Varia para cada caso. Se bem que alguns sentimentos também são difíceis de responder. Não sabemos se uma caixa de bombom pode ser útil a uma paquera como também se é correto convidar uma colega de trabalho para um café. O ser humano é assim: imprevisível, desconfiado, pois já passou por algo semelhante ou conhece alguém que passou. Isso não facilita os relacionamentos humanos e prejudica a comunicação. Fator importante para dimensionar escolhas e possibilidades.

Uma posição favorável se avalia quando ambas as pessoas demonstram interesse. O assunto flui naturalmente, a conquista parece ser desencadeada com o piscar de olhos. A conversa apimenta-se para batidas medrosas e o coração sofre cócegas. É tempo de amar. Sempre foi e será tempo. Com o “boom” das redes sociais, as palavras ganharam novos destaques, o digital passou a ser o meio circulante e a inovação do “mesmíssimo” ficou fora de moda. Já não adianta falar que está interessado em uma pessoa, é preciso melhorar a sedução das palavras e atitudes.

Mas que tipo de ação é a melhor? Depende. Tudo tem sua hora. Como diz a música dos compositores Luan Santana e Douglas Cezar, “ Dia, Lugar e Hora ”: “[...] Se a moça do café não demorasse tanto para me dar o troco, [...]” ou “[...] Se eu não parasse bem na hora do almoço pra cortar o cabelo [...]” nada de encontro, troca de olhares haveria acontecido. Um exemplo que pode impactar positivamente em qualquer relacionamento afetivo.

 

 

 

Muitas pessoas continuam acreditando na força do querer, na vontade em apaixonar-se, naquela velha união que vai levando dois corpos juntos por mais de 50 anos. É realmente bonito um casal com tanta experiência e estrutura no assunto. O ser humano nasceu para ser social, mas por um longo tempo da sua vida se controla em diversas situações. Isso é normal. O receio de se entregar para a pessoa errada leva esse ponto ocorrer. A consciência do querer precisa ser mais forte, mas ninguém conquista outra pessoa se ela não deixar-se levar. Isso é um motivo para persistir no erro, não porque quer, mas a culpa é do coração.

O amor é o culpado das pessoas quererem umas as outras. Para criar a força que as liga nem precisa mais de tanto tempo. Alguns momentos conversando já podem ser decretados o que faltava: um na vida de outro. Isso pode ser bonito para quem vê inconsequente para sentir. Sabe o ditado “quem casa não pensa”, nessa alusão a planejar, dar tempo para se conhecerem testar momentos juntos, decisões, rotinas. Aparentemente mesmo sabendo dos erros antigos em casar-se com a pessoa errada ou não gostar tanto dela, muitas pessoas seguem infelizes por conta de filhos, terceiros ou alimentando a esperança de haverá mudança da outra parte. Esquecem que os mesmos erros já foram cometidos. A sociedade impõe essa realidade. Muitos já não ligam para o que pensa baseados em artistas e famosos, casa-se com quem acham a felicidade. Isso é interessante. Já é um avanço.

Provavelmente o saber perdoar deve ser a questão mais difícil nos dias atuais. O perdão não deve ser considerado algo ruim ou bom, e sim um fato. Há motivos para acabar um relacionamento por tanto tempo. Traição por exemplo. Mas casamentos tão duradouros começam a ser escassos. Os jovens estão mais rápidos frente a seu próprio tempo e não controlam o tempo de relacionarem, adultos tendem a conciliar momentos juntos e a perder interesses concisos frente a problemas comuns e idosos já não ficam mais juntos pela razão que o passado deve ser “deixado para trás” e pensar no hoje. Homens separam-se para relacionarem-se com mulheres mais jovens, as mulheres tendem a aproveitar realizando mais viagens e cuidando mais de si. Difícil de determinar a cultura, é mais fácil descrevê-la. Logo isso terá um apogeu e transformará novamente. Faz parte.

 

Como em uma corporação e um funcionário que podem estar conectados por tantos anos, existem diversas lacunas entre a motivação e o prazer para manter ativo um relacionamento. Se ambas as partes respeitam-se, movimentam suas ações para o centro da família terá de ser duradouro. Quem cuida mais de si tende a se tornar mais feliz, uma questão lógica. A questão mais complicada é desenhar o futuro sobre motivos e complicações dos términos de casamentos acima dos cinquenta anos. Provavelmente cada caso é específico, porém há divergências.

Há quem entenda a melhor parte do relacionamento está relacionada aos conflitos. Servem para testar o relacionamento, a confiança, a força do amor. Pode ser, pode não ser. O que importa é o nível com que alcança uma divergência. Casais devem entrar em consenso ou assimilar vontades alheias. Exemplo: se ela gosta de novela, que tal ouvir o rádio, ler notícias ou um livro no ‘momento dela’, da mesma forma ela, que tal fazer uma pesquisa, ligar para uma amiga ou fazer contas no ‘momento dele’, há casais ainda que façam juntas as coisas que gostam um com outro tentando entender reciprocamente. Isso é interessante também. O amor é recíproco. Alimenta sentimentos e relacionamentos fazendo bem para o coração. Só tem um problema: ela é previsível, pode acabar. É preciso cuidá-lo sempre para a chama não morrer. 

 

 

 

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Sobre o autor
Thales Kroth é Palestrante na ODAC, Colunista em sites e blogs e Voluntário na ONG Parceiros Voluntários; com formação em Técnico em Contabilidade e Graduando em Administração e em Gestão Financeira pela Unisinos; 23 anos, gaúcho e solteiro. 

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