• Delza Carvalho

A essência do empreendedorismo e a arte de equilibrar os pratos



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Ao longo dos últimos 5 anos, tenho vivido os desafios de empreender nessa nova era, onde tenho experienciado de forma prática algumas novas formas de empreender e de me relacionar com o trabalho, pois, fato é que estamos todos numa mesma caminhada (alguns em grau de evolução maior que outros) em busca de aprendizados que nos ensinam a trilhar o caminho da mudança de paradigma do velho jeito de empreender para um novo modelo, mais inclusivo e colaborativo, onde algumas vezes nem sabemos ao certo como deve ser.


Estamos não só empreendendo cada vez mais, mas sobretudo aprendendo a viver num novo mundo para o qual não fomos preparados. Fomos preparados para competir, não para colaborar e compartilhar. Somos ao mesmo tempo mestres e aprendizes num cenário de mudança que envolve muito mais do que simplesmente elaborar um Canvas ou um plano de negócios e sair empreendendo por aí.


Por isso, hoje venho aqui contar um pouco dessa minha jornada empreendedora, que vem me permitindo descobrir, experimentar e vivenciar novas formas de fazer negócios.


Meu primeiro insight sobre o real significado da palavra colaboração (co+labor = trabalhar junto ou, simplesmente trabalhar com o coração=cor+ação) veio de uma forma que se configurou como o momento mais dramático da minha história empreendedora.


Costumo dividir a minha vida empreendedora em 2 fases: a fase empresária e a fase empreendedora dessa chamada nova economia. E ao longo do meu relato, vocês irão perceber a diferença entre uma coisa e outra.


Quando me refiro à fase empresária, estou me referindo a um modelo de negócio do qual estive no comando durante longos 14 anos. Um modelo totalmente verticalizado, hierárquico, linearizado (com funções e cadeias de comando definidos) e conduzido de forma a atender ao interesse maior de uma indústria, a qual eu representava, e que ditava as regras de como eu deveria guiar aquilo que eu acreditava que fosse o “meu negócio”. Para simplesmente ao final dessa “parceria”, eu vir a descobrir da pior maneira possível que tudo aquilo que construí ao longo daqueles anos não me pertencia mais.

Mas, para não me delongar, quem quiser saber mais dessa história dá um click aqui, onde conto tudinho. E foi quando passei pela traumática experiência de ter que demitir um grupo de 30 pessoas de uma única vez, que percebi que alguma coisa estava fora de ordem. E de fato estava.


Diante daquela terrível situação, uma das coisas que eu pensava era que, seja lá o que eu fosse fazer dali em diante, não queria mais ter pessoas trabalhando PARA mim. E em certos momentos saber o que a gente NÃO quer , pode já ser o início de alguma coisa.

Hoje tenho a clareza de que essa foi a minha “virada de chave” para deixar de ser uma empresária e me transformar numa empreendedora da nova economia. Foi no meio do caos e de um momento de luto-sofrendo a perda não só do “meu negócio”, mas de tudo que ele representava pra mim (estabilidade financeira, segurança, status profissional) - que fui encontrando respostas para o que nem eu mesma sabia ao certo para que me serviriam. Pois, embora eu estivesse passado por um processo de perda, inclusive da minha identidade profissional, decidi que nada iria me tirar o brilho da alma e a capacidade de me reconstruir e me reinventar.


Mas, isso não foi assim como uma linha reta, do tipo do ponto A para o B. Foi um longo caminho, sinuoso e cheio de obstáculos , onde muitas vezes eu dava uns passos à frente para em seguida dar outros pra trás. Somente com a luz do autoconhecimento é que eu pude enfrentar as minhas verdades e descobrir quem eu era na essência, o que me moveria, e principalmente o que me faria ser feliz.

Foi necessário ir desconstruindo um modelo mental que me limitava (medos, bloqueios, incertezas) e, sobretudo a crença de que era preciso ter recursos financeiros suficientes para encarar uma nova empreitada empreendedora. Pois, tudo havia sido tão devastador que cheguei a pensar que não haveria como empreender novamente. Pelo menos não da forma que até então eu fazia. E aos poucos, fui me libertando para reconhecer que eu possuía outros recursos valiosos que poderiam me fazer sorrir de novo pra vida empreendedora.


Depois de uma longa e profunda jornada de autoconhecimento, onde fui absorvendo e aceitando o que eu havia passado, é que tudo começou a fazer sentido pra mim. Navegando por novos mares e conhecendo novas formas de empreender, fui jogando luz nas minhas sombras e encontrando forças para empreender de novo. E aquela inquietação de ter pessoas trabalhando PARA mim, foi sendo substituída pela descoberta de que era possível criar um modelo de negócio onde eu teria pessoas trabalhando JUNTO a mim.


Bastou que eu me libertasse de algumas amarras, dentre elas o medo de fracassar de novo, para que eu acionasse um gatilho que me transformou numa espécie de multi empreendedora. E quando me dei conta, estava eu, envolvida e empreendendo em vários projetos e iniciativas em rede, nos quais pude aplicar todo o conhecimento adquirido através das múltiplas conexões que fui criando ao longo desse tempo de descobertas e transformações. Há muito não me sentia tão feliz e realizada profissionalmente. Era uma nova vida, num novo cenário, empreendendo de uma forma nunca dantes imaginada, investindo com outros recursos- através das minhas múltiplas potencialidades- e ainda me beneficiando do que podemos chamar de inteligência coletiva, interagindo com pessoas e projetos incríveis. Aprendendo e ensinando. Cheguei a pensar que eu estava vivendo no melhor dos mundos.


Mas, eis que cheguei a um ponto que me fez parar e refletir como eu estava direcionando meu tempo e minha energia, e passei a sentir todas aquelas pressões que o velho mundo ainda nos impõe. Viver a transição é isso. Foi quando me dei conta de que estava equilibrando pratos, e bastou um pequeno desequilíbrio- provocado por fatos que não temos como controlar - para que o primeiro prato caísse no chão.


Inevitavelmente, quando encerramos um ciclo e começamos outro chega uma hora em que temos que fazer um balanço, estabelecer prioridades, fazer escolhas que podem implicar em algumas renúncias. Não no sentido de renunciar e ter que absorver mais uma perda, mas, renunciar para abrir espaço para que algo novo possa emergir. Pois, se tem uma coisa que aprendi empreendendo em rede é isso: quanto mais interagimos e nos conectamos com os pontos da malha, mais ampliamos as possibilidades de fluxo.


É simplesmente estar aberto para perceber uma mudança de paradigma de um modelo de escassez (não tem pra todos) para um modelo de abundância (tem pra todo mundo), para que se abra um infinito campo de possibilidades, trocas e interações.










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Sobre a autora

Delza Carvalho é Jornalista e Relações Públicas, graduada pela PUC/MG. Pós graduada em Gestão Empresarial pela FGV. De storyteller a storymaker, transformou suas histórias de vida em negócios e hoje atua em projetos que valorizam as conexões como catalisador de ações para quem deseja empreender com propósito. www.conecxo.com.br

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#empreendedorismo

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